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nosso blog, nossas vozes

A Ludus é formada por uma equipe apaixonada pelos temas relacionados ao meio ambiente e à justiça social. Logo, leituras, discussões e aprofundamentos fazem parte do nosso dia a dia, das nossas conversas. Este aqui é um espaço para tirar essas ideias da caixinha e compartilhar com vocês. Aqui vocês encontram conteúdos interessantes, artigos e reportagens permeados pelas nossas vozes, por aquilo que vivemos e acreditamos. 

Reconhecer o desconhecimento absoluto. Essa constatação se chocou contra mim sucessivas vezes ao longo dos dois dias intensos que estive no 20º Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília, e pude repensar a Comunicação. Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, a Apib, esta foi a edição que mais reuniu diferentes povos – foram mais de 200 dos 305 que povoam o Brasil. “Parente” e “parenta” é como aqueles que optam por falar o português se cumprimentam ao projetarem suas vozes nos microfones a cada roda de conversa, plenária e discursos. Demarcação de terras, violências, financiamento, formações, arte, cobertura audiovisual, saúde mental … foram inúmeros assuntos e todos costurados sempre pela mais intensa atmosfera de cansaço e luta. Como ouvi ao passar por um dos palcos, ‘não existe vulnerabilidade para nós, povos indígenas, que sabemos viver com e na floresta. Vocês brancos criaram esse abismo de vulnerabilidade e nos empurram dia após dia para ele’.

A demarcação de seus territórios tradicionais é uma obrigação imposta pela Constituição de 1988 que deveria ter sido concluída em 1993. Estamos em 2024 e ainda há mais de 250 Terras Indígenas sem demarcação. A violência contra nossos ancestrais, iniciada na invasão de 1500, segue a pleno vapor dos interesses da mineração, do garimpo, das madeireiras e dos motores do narcotráfico. A ancestralidade marca o viver indígena em suas potencialidades e também ao carregar  esse acúmulo de mais de 500 anos de violências impingidas a seus pais, avós e bisavós. Ao me deparar com Ednaldo, do povo Xucuru-Cariri, psicólogo e liderança no debate sobre a saúde mental indígena, ouvi estarrecida os dados sobre o suicídio de jovens indígenas: ele é 8 vezes maior do que o de jovens em meio urbano.

A comunicação se faz rota de escape, ferramenta de socorro. Diversas organizações nacionais e internacionais têm oferecido aos povos indígenas formações em fotografia, filmagem e edição. Pilotagem de drone serve para produção de conteúdo, mas sobretudo, para documentação da invasão de suas terras sem que eles corram (mais) riscos para a criar as provas da caça, garimpo e invasão ilegais. Na tenda da União dos Povos do Vale do Javari, a Univaja, assisti ao menos 4 caciques enfrentando dois delegados da Polícia Federal. Eles queriam respostas para a inação e para o abandono da região onde foram assassinados  e encontrados o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips. As respostas, ao menos para o meu português, tinham sabor de esquiva, evasão e falta de clareza. A violência toma inúmeras formas, os relatos são infinitos.

Ao passo em que ia engatinhando na tentativa de começar a compreender toda esta complexidade, sorri com as histórias da cacica Zéfinha sobre a caça do macaco e do Rai-Rai, brincadeira típica dos festejos Kanamari. Chorei com a Rosa, da etnia Marubo, contando sobre a depressão do filho, após a morte de seu marido. Me encantei com os cantos de povos que até agora desconheço o nome. Entreguei meus braços para as artistas Matis e estou até hoje admirando no espelho os traços e desejando que o jenipapo fique impregnado na minha pele mais e mais tempo. Não quero que acabe porque sinto que não sou mais a mesma e não tem como voltar a ser. Mal posso esperar para, enfim, ir à Amazônia daqui a alguns dias. A jornada é, definitivamente, para dentro.

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antes de ir em frente

É importante saber que não fazemos greenwashing e estaremos sempre atentas para nos conectarmos com projetos que não pretendam ‘surfar ondas’ e não se comprometer integralmente com a justiça social e climática. Se seu impacto é verdadeiro, mensurado e autêntico, você pode contar com uma parceira de comunicação que compartilha sua visão e estará sempre empenhada em fazer a diferença. Ou ainda, se você ainda não tem um plano de ação e impactos mensuráveis, mas tem a intenção genuína de tê-los, você também pode contar com a gente!