IA e ESG: as siglas do maior evento de inovação do Brasil

No Web Summit de 2024 as 3 palavras mágicas nos corredores eram Inteligência Artificial Generativa. A última trend tecnológica tem, de fato, um potencial disruptivo. Basicamente muitas das coisas que criamos poderão ser feitas pela IA, como textos, imagens, sons, vídeos, códigos e previsões. Ao juntarmos o maior salto tecnológico dos últimos anos com a maior crise planetária do clima e Sustentabilidade, a minha expectativa era encontrar um grande volume de soluções sobre IA e ESG no WebSummit Rio.

O painel “Empowering small business through innovation”, liderado pela Stone, focou no cenário de empreendedorismo nas periferias. As falas giraram em torno das reais necessidades desse público, que movimenta mais de R$100 bilhões por ano no Brasil, e finalizaram com uma importante reflexão: inovar é simplificar. A pergunta que ficou foi: as várias potencialidades de IA estão atendendo as necessidades desse público?

Do pequeno ao gigante, fui ouvir um caso de aplicação de IA no Burger King, bem fora da caixa de impacto. As vendas da rede de fast food são 50% realizadas por meios digitais (seja por app de entrega ou pedidos em painéis virtuais nas lojas). Ao utilizar dados e análise de comportamento desses clientes com preferência digital, conseguiram diminuir 70% do custo de aquisição e aumentar o faturamento por fidelização e oferta dos produtos ideias. Sempre foi sobre conhecer o cliente. E, apesar de tirar o chapéu para isso, fiquei curiosa sobre as ações para promoção de uma alimentação saudável e para o uso de IA em acuracidade de estoque e diminuição do desperdício de alimentos. Achei algumas informações aqui.

Ainda fora da bolha, uma passada na palestra sobre produção de conteúdo para redes sociais usando avatares, com uma fala de revirar o estômago. As próximas gerações vão brigar com as telas não para parecerem pessoas com padrões de beleza irreais, mas sim para se parecerem com avatares não humanos. Em um país em que as cirurgias plásticas cresceram 141% nos últimos 10 anos para o público entre 13 e 18 anos, o limite do que é assustador já foi passado faz tempo. A quem esses avatares vão servir, afinal? Nas palavras de João Pedro Resende, da Hotmart, avatares podem ser vendidos, pessoas não. Eis a resposta.

De volta ao mundo da Sustentabilidade, um respiro ouvir Sônia Bridi entrevistando Peter Prengaman,  Diretor global de jornalismo climático e ambiental da The Associated Press. A discussão girou em torno do combate à desinformação e a negação da crise climática, agravadas pelo uso irresponsável e desregulado de IA. Brindaman ressaltou a necessidade de fazer as histórias sobre mudança climática serem mais próximas do público, focando em narrativas humanizadas e interconectadas com os aspectos da vida.  A mistura entre descomplicar dados científicos e usar o poder narrativo é a aposta para gerar interesse e mobilização necessária para a pauta.

Os stands de startups e a sessão de pitches “Building a sustainable future” veio com uma pontada de decepção. A maioria se concentrou em serviços de plataformas de métricas e controles de gestão da informação. De fato, medir e provar o impacto é uma grande solução para impulsionar a pauta. Eu adoro esse tipo de produto e tenho plena certeza de que funcionam super bem – quando os dados existem. Quem já fez qualquer relatório ou gestão de impacto sabe que, a dificuldade mesmo, é gerar a informação. Soluções ótimas, mas para qual problema? Não deu tempo de ficar muito claro.

Por fim, para terminar de coração quente, dona Luiza Trajano nos brinda com a simplicidade de uma mulher que construiu uma empresa bilionária com a arte de pensar e falar simples, mesmo que passe por construir soluções complexas e inovadoras. Na discussão mais humana do dia, Laura Salles, que dividia o palco com Luiza, traz a importância de entender a pessoa por trás dos números e tecnologias, lembrando que as ferramentas nos servem, não o contrário.

Palestras de 20 minutos, um lugar enorme, pitches de 1 a 4 minutos e uma correria entre assistir, conhecer pessoas, trocar e respirar. Sobrou pouco espaço para os questionamentos. Senti falta de olhar para além da superfície e trabalhar mais no que queremos resolver com a tecnologia. Estamos realmente usando IA a nosso favor?

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antes de ir em frente

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